24 ago

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A guitarra ganhou espaço em meio a vários estilos musicais no Brasil e no exterior a partir do final da década de 40. De lá pra cá, a voracidade dos riffs, o brilho dos solos e os gritos dos bends foram conquistando cada vez mais músicos. Com Láryos Lima, não foi diferente.

 

O guitarrista piauiense, que cursou Educação Artística com habilitação em Música na Universidade Federal do Piauí, já acompanhou músicos como Tico Santa Cruz, Kid Vinil e Edu Falaschi, e, além de tocar na noite, o Artista Michael também atua como educador musical, ministrando aulas de música em sua cidade.

 

No #MichaelEntrevista de hoje, Láryos fala sobre sua carreira, as bandas que acompanhou e o dia a dia como músico e educador. Confira!

 

Michael: Você já acompanhou músicos de estilos musicais completamente distintos, como o Tico Santa Cruz e o Sivuquinha de Brasília. Você segue um padrão de estudos para manter sua versatilidade, ou é um processo natural?!

 

Láryos Lima: A versatilidade, para mim, é um dom que todo músico deve lutar para mantê-lo e aperfeiçoá-lo. É também o que mais admiro nos músicos, essa capacidade de funcionar como diferentes “atores musicais”, seja no palco ou no estúdio. Entretanto, todo dom requer exercício para que tenha constância. Eu procuro otimizar meu tempo, já que temos uma vida bastante corrida e cheia de artifícios. Então, ali meia hora antes de uma aula ou nos intervalos das aulas de música eu procuro exercitar bastante a parte técnica para mantê-la em dias e ultimamente tento sempre estudar a sonoridade e as nuances específicas de cada músico, tipo: nessa semana vou estudar as frases do Nelson Farias, semana que vem vou estudar algumas harmonias da bossa nova Brasileira e, por aí seguimos.

 

M: Ao longo de sua trajetória acompanhando músicos e bandas, houve algum momento ou experiência marcante?!

 

LL: Sim, várias! Fica até difícil mencionar apenas uma. Tudo que acontece na nossa infância e adolescência nos marca bastante. Sempre fui muito fã da banda Angra, desde os 14 anos. Então, em 2007 eu tive a honra de participar de um máster class com o guitarrista Kiko Loureiro em Brasília no GTR, e lá nós tocamos juntos na sala de aula a fim de receber suas dicas. Inesquecível! Além disso, pude acompanhar o ex-vocalista da banda Edu Falaschi em dois shows especiais em Teresina-PI. Estar ali no palco do lado do músico que você passava o dia inteiro ouvindo e nunca imaginou que aquilo poderia acontecer um dia, realmente são sonhos que se tornaram realidade.

 

M: Você é um músico extremamente versátil! Quais são suas maiores influências na música?

 

LL: Obrigado! Minhas maiores influências em estilo são a música brasileira, a música mineira (Clube da Esquina), blues, jazz e heavy metal. Alguns dos músicos e compositores que norteiam minha carreira são: Kiko Loureiro, John Mayer, David Gilmour, Lô Borges, Humberto Gessinger, Luiz Gonzaga, Guilherme Arantes, John Scofield, Steve Morse, Nelson Farias, Alex Liffeson, Marcelo Barbosa, Gilberto Gil, Bach, Hendrix… ufa… dentre outros.

 

M: Qual foi o maior desafio de sua carreira como sideman?

 

LL: Sem dúvidas foram as duas vezes que acompanhei o Edu Falaschi, haja vista o nível das músicas, algumas do Angra bem difíceis e outros clássicos do metal mundial. Estar ali ao lado de um ídolo, mas prestando um serviço, tendo que manter a concentração e, ao mesmo tempo, imaginando que aquele mesmo vocalista sempre fez shows com renomados músicos no mundo inteiro. Músicos de uma ressonância global. Baita desafio!

 

M: Na sua percepção, quais são as maiores dificuldades e os pontos favoráveis de acompanhar bandas tão distintas musicalmente?

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LL: Bem, as dificuldades maiores são relacionadas à questão de você mudar o estilo de tocar, mas sem perder a sua sonoridade. Você pode tocar “Fear of the dark” do Iron Maiden, “Tempo Perdido” do Legião Urbana e “Paraíba” do Luiz Gonzaga sendo o mesmo músico, com sua pegada e suas peculiaridades, embora com técnicas diferentes. No entanto, músicas distintas assim requerem um maior cuidado musical no quesito timbragem, por exemplo, além de termos consciência do que fazer ou não fazer em cada uma delas. Destaco como ponto favorável o fato de lhe reconhecerem e no meio de tanta gente terem lhe escolhido pra fazer algum trabalho, pois já é um atestado de que confiam em você e que admiram aquilo que você faz. Ser conhecido por ter alguma versatilidade, para um músico, é um elogio magnífico! Talvez essa seja uma característica do músico que vive a música brasileira, uma música tão diversa, cheia de ritmos e influências fazendo com que ouvimos e aprendamos um pouco de tudo.

 

M: Além de guitarrista, você também é educador. Os professores de música além de ensinarem, também são vistos como inspiração por seus alunos! O que mais te inspira a ensinar?

 

LL: A atividade de ensinar é algo que nos dignifica todos os dias. Saber que podemos construir uma sociedade com menos problemas, com mais Arte do que confusões, por exemplo. Além de ser professor de música estou entrando também na carreira de educador de língua portuguesa e podemos sempre estar unindo as perspectivas de cada uma dessas áreas rumo ao mesmo objetivo. O fato de termos alunos que são inspirados na gente, alguns querem comprar um instrumento igual ao nosso, escutam nossas músicas diariamente e reconhecem o que fazemos é, sem dúvidas, a parte mais inspiradora desta longa jornada.

 

M: Como você concilia o dia a dia como educador com as apresentações e shows que realiza?

 

LL: Às vezes nem se fôssemos duas ou três pessoas conseguiríamos abraçar tudo que acontece. Mas, temos que dar um jeito. Normalmente, minhas aulas são durante o dia e as apresentações musicais na noite e fins de semana. No entanto, é bem comum aparecer shows e viagens em horários inusitados ou até mesmo aulas em horários alternativos. A gente vai se organizando até dar certo tomar conta de tudo e de todos. O bom é que tanto a aula quanto o show nos dão um aperfeiçoamento com o instrumento, pois já são duas formas de praticar muito boas, embora tocar e estudar sejam artifícios distintos.

 

Por fim, agradeço imensamente ao apoio da equipe Michael Instrumentos que segue meus passos e notas no universo musical!

 

Então é isso! A Michael agradece a entrevista e até a próxima!

F.Gênia