22 jun

A bateria é muito versátil, pois além de sua importância rítmica e de toda a técnica que pode ser aplicada ao instrumento, ela também possui a função de conduzir a música. Como os próprios músicos gostam de dizer, “é um instrumento que faz a música andar”! E saber aplicar os detalhes no lugar certo, trazem para a música sensações singulares.

 

Nosso Artista Michael Vitor Vieira pertence a categoria de baterista do mais altíssimo nível! Com uma pegada autêntica e bem aplicada, aliado ao seu grande conhecimento rítmico, Vitor passeia por vários estilos que vão do Maracatu ao Jazz, de uma forma precisa e extremamente técnica, deixando sua marca única em tudo que toca!

 

Em sua trajetória, além de seu trabalho autoral, Vitor acompanhou grandes nomes da música, como Ed Motta, e tocou com o ícone da MPB – que tinha uma voz inconfundível e que nos deixou precocemente em 2017 -, o cantor e compositor Luiz Melodia.

 

No Michael Entrevista de hoje, Vitor conta sobre a experiência de trabalhar e gravar o dvd “ZERIMA” com Luiz Melodia. Confira a entrevista na íntegra!

 

Michael: É verdade que o nome “ZERIMA” se refere ao nome da irmã do Luiz Melodia ao contrário (MARIZE), e esse trabalho foi uma homenagem para ela?

 

Vitor: Sim. O Luiz tinha um carinho muito grande pela Marize e ele fez este CD e DVD em homenagem a querida irmã!!!

 

M: Como foi para você a experiência de gravação desse DVD?

 

V: Bom, foi uma experiência única porque tocar com um artista como o Luiz não acontece todo dia. A banda era composta por músicos excelentes e uma equipe extraordinária. Foi muito emocionante no dia da gravação para todos nós, sabendo que ali iria ficar registrado mais um momento deste grande artista da música popular brasileira. Estava super preocupado com o meu set up que iria usar para chegar na sonoridade que o trabalho precisava. Mas no final deu tudo certo e conseguimos atingir o objetivo.

 

M: E como aconteceu o processo de criação dos arranjos? O Luiz chegou com algumas sugestões para você, ou vocês foram criando juntos?

 

V: Os arranjos foram feitos exclusivamente pelo maravilhoso arranjador, que também era produtor musical da época, Humberto Araújo. Por sinal, diga-se de passagem, lindos arranjos. O Luiz, nos ensaios para o DVD, sempre aprovava os arranjos. Ele, neste momento, estava mais preocupado com sua performance e dos demais. Na verdade, ele já sabia o que queria e o Humberto já o conhecia.

M: Durante a turnê, houve algum fato engraçado que aconteceu nos bastidores?

 

V: Teve sim! (Risos). Em uma cidade do interior de São Paulo, após o show, estávamos em um restaurante, eu e o Luiz, conversando sobre várias coisas e quando nos demos conta, já era alta madrugada. Fomos para o hotel e lá chegando, o Luiz pediu a chave do seu quarto de número 1108. O recepcionista olhou para ele e disse: “senhor, este hotel só vai até o nono andar!!!!”

 

M: Em 2015, o Luiz recebeu com esse trabalho o “Prêmio Música Popular Brasileira” na “Categoria Mpb – Canção Popular – Melhor Cantor”. Como foi esse momento para vocês?

 

V: Ficamos muito felizes pelo reconhecimento do trabalho que ele desenvolveu ao longo de todos esses anos. Com certeza, ele mereceu porque seu timbre e sua interpretação eram inconfundíveis.

 

M: Nesse álbum, vocês voltaram às origens do cantor, passeando entre o Samba e a Bossa. Quais foram as principais técnicas que você utilizou para os arranjos das músicas?

 

V: Como o repertório dele era muito eclético, onde ia da bossa ao samba rock, do jazz ao reggae e rock roll, usei várias técnicas básicas como Rimshot, Flam, Drag e Rudimento Buzz Roll. Sempre muitas dinâmicas nas levadas porque os arranjos exigiam.

 

M: De todo o repertório que vocês tocavam, tem alguma música que você goste em especial?

 

V: Esta pergunta é muito difícil! (Risos). Isso porque as músicas escolhidas para o DVD eram umas mais lindas que as outras. Baladas lindas, levadas black music divertidíssimas de tocar, ouvir e dançar, sucessos transformados em swing jazz, e tudo mais. Mas se eu só posso escolher uma, vou ficar com “Magrelinha”, porque tinha um arranjo excepcional e era a última música do show, que era um turbilhão de emoções.

 

M: A Michael agradece a entrevista! É uma honra conhecer um pouco da história desse super trabalho que vocês fizeram juntos. Qual recado você gostaria de deixar para os fãs do eterno Luiz Melodia?!

 

V: O artista vai para as estrelas, mas a sua obra fica eternizada. O que podemos fazer é sempre ouvir o poeta nas suas discografias e matar a saudade nas suas imagens em entrevistas e números musicais registrados na telinha.

 

Sem dúvida, o DVD “ZERIMA” marcou a MPB e sempre irá reverberar na memória e no coração dos fãs de Luiz Melodia.

 

Até o próximo #MichaelEntrevista!

F.Gênia